Prêmio Nobel de Medicina 2021 premia descobertas sobre tato e temperatura da pele

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Prêmio Nobel de Medicina 2021 premia descobertas sobre tato e temperatura na pele
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Prêmio Nobel de Medicina 2021 premia descobertas sobre tato e temperatura da pele

 

David Julius e Ardem Patapoutian explicaram como o calor, o frio e o toque iniciam sinais no sistema nervoso. Entenda!

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Os americanos David Julius e Ardem Patapoutian (de origem libanesa e armênia, respectivamente) acabam de conquistar um dos prêmios mais importantes na medicina global em 2021: o Nobel. Eles conseguiram explicar como o calor, o frio e o toque podem ativar os receptores do nosso corpo.

Para entender a importância da descoberta, precisamos lembrar que os seres humanos são animais homeotérmicos, ou seja, precisamos manter a temperatura do nosso corpo para continuarmos vivos. É por isso que precisamos de um abrigo nos dias frios, de preferência com um edredom macio e aconchegante durante a noite.

Só de pensar na cena acima você já se sentiu bem? Então você precisa saber que os sensores táteis, que também fazem parte dos estudos de um dos cientistas premiados, se relacionam com os de temperatura. Mas como esses impulsos nervosos começam? É essa resposta que rendeu o Nobel aos americanos.

“Os laureados identificaram elos essenciais que faltavam em nossa compreensão da complexa interação entre nossos sentidos e o meio ambiente”, afirmou no discurso da Academia Real das Ciências da Suécia, durante a entrega do Prêmio.

Segundo explicou Thomas Perlmann, secretário da Assembleia do Nobel, os cientistas conseguiram explicar, em nível molecular, como esses estímulos são convertidos em sinais nervosos. “É uma descoberta importante e profunda”, ressaltou.

Entender como os nervos interpretam a nossa relação com o ambiente pode ajudar não apenas a tratar desequilíbrios, mas a diagnosticar casos que a ciência ainda não consegue explicar. De tão relevantes, as novas informações também devem servir para embasar novos estudos de agora para frente.

As descobertas já estão sendo utilizadas em todo o mundo para desenvolver tratamentos para várias doenças, incluindo dores crônicas, que tendem a se agravar quando as temperaturas baixam. Podem servir também para desenvolver remédios mais potentes para o controle da dor e da febre.

Entender como o nosso corpo reage aos estímulos também pode ajudar outras pesquisas médicas a avançarem, como é o caso dos estudos sobre respiração e controle da pressão arterial, por exemplo. Como reconhecimento pelo trabalho, além do título, os cientistas levaram para casa um prêmio equivalente a  R$ 6,1 milhões, montante que deverá ser dividido entre os dois.

Como eles descobriram isso?

Ficou curioso para saber um pouco mais sobre como os cientistas conseguiram uma resposta para como o calor, o frio e o toque são percebidos pelo nosso corpo? Algumas informações gerais dos métodos foram divulgadas.

Para identificar um sensor que responde ao calor nas terminações nervosas do corpo humano, David Julius utilizou “um composto da pimenta malagueta que induz uma sensação de queimação”, conhecido como capsaicina.

Já Ardem Patapoutian se dedicou especialmente ao estudo dos estímulos mecânicos, tanto na nossa pele quanto nos órgãos internos do nosso corpo. Ele usou células sensíveis à pressão e, assim, conseguiu identificar uma nova classe de sensores que respondem quando somos tocados e enviam sinais para o cérebro.

As pesquisas foram realizadas separadamente mas, juntas, nos ajudam a entender como acontecem no corpo essas respostas. Parece natural, mas é um processo complexo que cientistas de todo o mundo buscam desvendar há anos.

E a Covid-19?

Por conta do rápido desenvolvimento da vacina contra a Covid-19 e dos avanços em pesquisas sobre a doença, que até então era desconhecida, muitas expectativas esperavam que o Nobel fosse para alguma descoberta nessa área.

A principal explicação para que o Prêmio tenha ido para estudos sobre outro assunto, além da relevância da descoberta, está no fato de que, justamente por serem novos, muitos estudos sobre a Covid-19 ainda não são conclusivos. O Nobel nessa área pode vir nos próximos anos, no entanto. Aguardemos!

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